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E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes, Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado Para fora da possibilidade do soco; Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas.Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. Toda a gente que eu conheço e que fala comigo Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida... Onde é que há gente no mundo?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

CONTRARIANDO UM "BOCA DE MEL"


Uma sociedade que despreza a massa de uns e promove celebridades e doutores é emocionalmente infantil e doente. Não me curvo diante dos famosos e nem dos maiores líderes desse grande sistema o qual exige de nós determinação para suportá-lo, mas curvo-me diante dos educadores.
A greve é um direito, e nas circunstâncias em que estamos é um dever, o dever de lutar pelos direitos e de mostrar que tudo aquilo que nos é dado por meio de uma mentira já é nosso por lei e por mérito.
Somos livres para ir e vir, mas graças ao governo que apedreja os que ousam pensar diferente já não somos livres para pensar. O governador José Serra é um "boca de mel", diz muito bem na frente das câmeras sobre seu trabalho, porém não é capaz de "interromper nossa programação" em forma de explicação e acordo quanto à greve e aos educadores que se encontram insatisfeitos, injustiçados, diferenciados, sacaneados, subestimados e por aí vai...
Se provas são verdadeiramente provas do nível intelectual das pessoas, quero saber a qual prova Serra foi submetido para assim julgar. Por que será que não substitui médicos por farmacêuticos, polícia militar por guardas mirins? E se isso não acontece, por que os professores podem ser substituídos por pessoas que não são capacitadas para exercer seu trabalho?
Talvez a resposta esteja na indústria, quero dizer, no governo que Serra criou onde os porquês não são levados em conta, onde apenas aparências e índices são valorizados. Dizer que o nível de educação brasileira melhorou é fácil quando se avalia com provas bizarras, e quando nos ensinam com uma dúzia de livrinhos coloridos com erros ortográficos.
Da mesma forma que não há vaias que sejam eternas, não há aplausos que durem para sempre, é tempo de política, tempo de eleição, tempo de disputa para saber quem será o pior ou o menos ruim. Contudo, não é tempo de medo, mas de confiança, pois quem elimina todos ao seu redor um dia será implacável consigo mesmo e desprezível por si só.
"Mercado de trabalho"; existiria se não houvesse educadores? A realidade é que cada doutor, embaixador ou presidente da república - exceto Lula, talvez- precisaram de no mínimo quinze professores para assim serem.
Vinte, trinta e até mais anos de profissão são traídos a cada ano; professores entram na sala de aula cada vez mais desapontados e insatisfeitos com suas condições, não só financeiras como morais. Lembremos que Jesus Cristo foi amado por muitos, mas traído e negados por seus amigos; Júlio Cezar viveu tempos de glória e de desgraça, seus amigos o assassinaram; Napoleão teve ascensão como poucos e humilhação como vários, porém são lembrados como os grandes homens da historia.
Essa guerra de ideias não cria heróis nem Messias, mas cria pessoas cientes das loucuras da sociedade e dessa indústria, aliás, governo.
Greve? Sim! Não para que o governo fique descontente conosco, senão para que fique insatisfeito consigo.

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